Por volta de 1930, a casa de veraneio do Dr. Zacharias Mártyres, onde o mesmo recebia aos fins de semana seus amigos “forenses”, sediaria um simples, porém ambicioso complexo hoteleiro para a época, o qual seria a segunda hospedaria da Ilha do Mosqueiro até então.
Essa construção deveria se assemelhar a um grande transatlântico de onde a natureza como um todo pudesse ser admirada de seu convés, acompanhada pelo marulhar das ondas, tal a proximidade da água; os cantos arredondados do prédio seriam para quebrar a força incessante do vento naquela ponta e a arquitetura em si, sob a influência européia, com a qual Zacharias se identificava, possibilitava sob vários ângulos, o desfrutar da paisagem: de frente para a praia, o amanhecer; de frente para o farol de navegação, o crepúsculo; de frente para a Ilha dos Amores, a Ilha do Marajó; e de frente para a praça, mas com a segurança de "estar em terra".
Na década de 40 com a nova cozinha já dentro do hotel e a ala superior concluída abrigando apartamentos, quartos e banheiros externos, também à moda européia da época, a "casa de amigos" de fato, se tornou um hotel - chamado então Balneário Farol - que passou a ser freqüentado pela sociedade belemense que lá passava a época de verão, e até mesmo por oficiais militares americanos sediados na base aérea de Val-de-Cans na época da Segunda Guerra. Estes freqüentavam a ilha (particularmente a Ponta do Farol), em que com maré alta aterrizavam seus aviões anfíbios e na maré baixa com um dirigível Zepellim, para desfrutar do terraço e dos serviços de bar e restaurante.
Com o falecimento do Dr. Zacharias em 1958, sua esposa Dona Adelaide e filhos, assumiam seu sonho. Em sua administração, Adelaide deu início a construção de um prédio de 12 faces, mais conhecido como “redondo”, que instalaria novos e modernos apartamentos tipo suíte, com sacada para praia.
Em 19 de dezembro de 2007 falecia Dona Adelaide, que completara 100 anos no dia 05 de dezembro, passando assim, à seus filhos, a administração do complexo e a missão de continuar o sonho do casal, mas sem esquecer o clima familiar típico.Clima este, que faz até hoje, clientes tornarem-se amigos, cujo os quais temos o prazer de conviver a gerações.
